Read Três Mares by José Luís Outono Online

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A vida é um mistério, que mesmo decifrado por alguns, continuaenvolto em penumbras e incógnitas para outros. A vida é um mar de olhares, reflexões e decisões, quantas vezes marés cortantes de desejos e ambições. A vida é um livro que ousamos escrever desde o primeiro grito ou respiração, até ao findar de um sol numericamente acabado.Cada momento é um excerto de uma peça, nA vida é um mistério, que mesmo decifrado por alguns, continuaenvolto em penumbras e incógnitas para outros. A vida é um mar de olhares, reflexões e decisões, quantas vezes marés cortantes de desejos e ambições. A vida é um livro que ousamos escrever desde o primeiro grito ou respiração, até ao findar de um sol numericamente acabado.Cada momento é um excerto de uma peça, nunca definida nemensaiada. Um palco inconstante. Um aplauso ou uma lágrima no final de cada acto de um diário cúmplice. A vida nunca será um manual de economia, ou uma tese filosófica, ou ainda o comprimido mágico prescrito num consultório especializado ou não. A vida é apenas um grão, um grama, ou um centímetro quadrado no deserto da surpresa de cada passo.Eu bebo a vida, e mostro-a nem que seja num simples ponto deinterrogação de uma tela nunca acabada, ou de um paradigma nunca entendido. Tento-o, como errante humano e eterno aprendiz. Nunca apontei o mau, impondo-me como o bom.Mas há pessoas com sorte, que nunca olharam o Sol por desprezo,nunca viram a lua por engano e mergulham em piscinas de mármores raros e águas terapêuticas, sem saberem. E dizem que o ouro é um metal um pouco mais brilhante.TRÊS MARES - José Luís Outono...

Title : Três Mares
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ISBN : 9789897430985
Format Type : Paperback
Number of Pages : 142 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

Três Mares Reviews

  • António Ganhão
    2018-11-01 00:07

    Restam as margens, diz o poeta. De que margens se despede este mar?Este é um livro marcado por uma visão aberta ao mundo, esse imenso mar perturbado por contornos nublosos, agitado pelo sofrimento humano que rouba cores à escrita. Um mundo-mar sob um olhar que não esconde o sofrimento, distanciando-se de si próprio, quase nos seus antípodas. Uma imensa vontade em desmontar o circo do poder e denunciar as matemáticas que subtraem humanidades à nossa consciência coletiva.Ler mais em Acrítico - leituras dispersas

  • Cristina Torrão
    2018-10-18 21:00

    O amor tem múltiplas cores.A vida inúmeros arco-íris.O mar, apenas a cor do nosso olhar.(In Mares)Neste livro do poeta José Luís Outono, encantou-me a alternância entre os hinos ao amor («e o amor é um diamante raro», in Tempos Afogados), a reflexão filosófica e a crítica social e política, esta, por vezes, muito dura, como em Estragos:Tentei não obedecer ao bloqueio da razão.Subi acima das nuvens secretas,e olhei o contorno simétrico da ética.E vi.O dislate humano da insensatez.O vácuo dos ideais ditos inovadores.O riso estridente da arrogância.O sonambulismo parvo da complexidade.O desvio credenciado do engano.O diploma vingador do incómodo.E li.As notícias prefabricadas de vendas e saldos combinados.Os ensaios plagiados de instintos inflamados.Os relatórios pérfidos da poupança promotora.As contas subtis do despesismo titular.A listagem mórbida do emagrecimento sociocultural.E pensei.Gostava tanto que fosse engano.Algo que igualmente muito me agradou foram as alusões à Revolução de Abril, que surgem aqui e ali, como em Saudades:Conheci-te, numa madrugada de Abril. Os teus olhoseram um poema de liberdade, num mar de cravos esperança.Tinhas o mais bonito nome de mulher verdade - Democracia.Hoje, quarenta anos decorridos, beijo ainda alguns momentosda tua beleza, que sabem a pouco, neste dizer ladino,de homem apaixonado.Especialmente comovente é o poema Escrito na Tarde do Dia 25 de Abril de 1974 (José Luís Outono cumpria serviço militar na Guiné), do qual transcrevo alguns excertos:Bem longe, desse Continente de confusões,entendo agora, meu pai, as tuas palavras.Quando me avisavas dos gritos de dor da António Maria Cardoso(…)Quando esboçavas um pestanejar,ao ver-me com uma farda obrigatória,e dizias em gozo certeiro - Mocidade?(…)Quando me viste partir para este inferno colonial,e com um abraço disseste - Não te esqueças de regressar.Como se vê, um livro lindíssimo, que contém ilustrações do próprio autor e que nos surpreende a cada esquina:ainda bem que o reino animalé insensível às promoções de conveniênciae continuam a soletrar atitudes tocantesque os humanos ignoram por vaidade superior(In Gritos Nascentes)Desculpa, meu amor, mas hoje mergulhei em águas sofredoras e estou muito pensativo. Lembras-te? As mesmas águas onde já mergulhámos felizes, são hoje cemitérios ou corredores de sofrimento.Impossível!(In Olhares Nublosos)por vezes apetece inverter as coresnum esperançar de ver receios abraçar coragens(In Por vezes)Para quem gosta de poesia e não só…